Quinta-feira

Assim como a distância borra a paisagem, a solidão apaga o sentido de tudo aquilo em que acreditamos.

Terça-feira

Os homens não se trancam nos claustros e sanatórios para sofrer menos, mas para sofrer sem responsabilidade.

Sexta-feira

Os pseudo-iluministas criticam as pessoas que ainda vivem "nas trevas", quer dizer, que tem ilusões diferentes dos iluministas. Mas não compreendem que, por mais que as ataquem, estão dando sempre no alvo errado. Já seria muito se essas pessoas vivessem nas suas ilusões; elas sequer as conhecem de perto, e estão tão longe delas quanto da realidade; na verdade, sua única ligação com elas é uma espécie de fé passiva. O que um homem mediocre faria sem seu otimismo?
O meio universitário é a pior coisa a que um universitário pode se expor. Aliás, o universitário mesmo é uma subcategoria de humanidade; uma das piores. Acho que não há nada de errado no fato de uma pessoa ser designada pelo que faz, mas a maior parte da humanidade é também formada por aquilo que faz, e, nos piores casos, até pelos rótulos que adota.
Lembro que a primeira conversa que ouvi quando cheguei à universidade foi algo sobre sobre Balzac. Uma das pessoas falou que estava lendo-o e fez todos os elogios que costumam aparecer numa contracapa de edição comercial; pensei que já seria bastante deprimente se ela houvesse simplesmente repetido aquilo, mas que era pior ainda saber que a sensibilidade dela era tão comodista que havia coincidido com os comentários apelativos de uma editora. Para terminar, a outra pessoa sorriu e a elogiou, dizendo que "Balzac foi um dos criadores do realismo francês". Saí com a sensação de que não havia ouvido uma conversa.

Quinta-feira

Os bons momentos não se perdem - nós mesmos os destruímos.